IATF significa Inseminação Artificial em Tempo Fixo e TETF é Transferência de Embriões em Tempo Fixo.
Ambas as técnicas utilizam de protocolos hormonais muito semelhantes que visam induzir a ovulação da fêmea bovina em dia e hora conhecido.
A diferença é que, na IATF, iremos inseminar as fêmeas pouco antes das ovulações para emprenha-las com o sêmen do touro que escolhemos, portanto o bezerro produzido é filho dessa vaca, enquanto que, na TETF, iremos inovular embriões ( bezerro com 7 dias) , retirados do útero de outras vacas chamadas de doadoras, portanto, a vaca sincronizada vai gerar um filho que não é dela (tipo “barriga de aluguel”). Em ambas as técnicas eliminam-se a necessidade de observação de cios para se realizar esses procedimentos.
A taxa média de prenhez esperada do programa IATF em fêmeas de corte é 50%, com variações consideradas normais entre 40 a 60%, dependendo da:
- Categoria animal (primíparas e novilhas tendem a apresentar taxa menor que multíparas)
- Condição nutricional do rebanho
- Perfeita execução do programa IATF
- Qualidade do sêmen utilizado
- Capacitação dos inseminadores
Contudo, devemos lembrar que as fêmeas não prenhes da 1ª IA após o protocolo IATF, têm seu ciclo estral regularizado, isto é , voltam ao cio juntas. De forma que, se considerarmos lotes de vacas paridas que antes do protocolo IATF estavam em anestro (sem manifestação de cio), logo depois dessa inseminação do protocolo, aquelas que ficaram vazias, tem a chance de emprenhar mais rapidamente, seja com re-inseminações (com observação de cios entre 15 – 23 dias após a IATF) ou com repasse com touros.
Esse benefício indireto da IATF , isto é, de fazer as vacas começarem a apresentar cio após o protocolo, auxilia muito a fazenda conseguir altas taxas de prenhez no início da estação de monta, com intervalos muito curtos de tempo, diminuindo o intervalo entre partos e aumentando a produção de bezerros por ano. (veja na consulta rápida o arquivo sobre repasse na IATF)
Com a IA convencional nós inseminamos apenas as vacas que são observadas em cio. Nas condições da maioria das fazendas brasileiras, observamos que a proporção de vacas ciclando após o parto (entre 45 e 80 dias) é bastante pequena; cerca de 30%. Além disso, a detecção de cios também é uma técnica que apresenta falhas.
A maioria dos trabalhos realizados no Brasil demonstram que somente 50 a 70% das vacas em cio são efetivamente detectadas. Na IA convencional temos uma taxa de concepção mais alta, mas de poucas vacas inseminadas e num período longo de trabalho. Na IATF inseminamos todos os animais, inclusive aqueles que ainda não começaram a ciclar (animais em anestro). Como o tratamento estimula a ciclicidade dos animais, mesmo os que não emprenham tendem a apresentar cios logo após o tratamento e podem ser inseminados ou cobertos.
Na IATF temos uma taxa de concepção um pouco menor, mas com uma alta taxa de prenhez, em um curto espaço de tempo O resultado da IATF é um número bem maior de vacas prenhes de sêmen e a antecipação da prenhez e do nascimento dos bezerros
Sim, entretanto o trabalho com novilhas devem ser mais rigorosos quanto a avaliação dos animais. Devem ser retirados dos programas os animais muito jovens, com ovários e útero pouco desenvolvidos, que são características dos animais impúberes. Existem protocolos específicos para novilhas.
O melhor custo-benefício é conseguido em vacas paridas, pois são os animais nos quais temos as maiores dificuldades nos programas tradicionais de inseminação ou mesmo na monta natural. Entretanto é possível realizar a IATF nas outras categorias com resultados muito compensadores.
Com a IATF é possível inseminar um grande número de animais em um curto período de tempo sem a necessidade de observar os cios. É possível conseguir boas taxas de prenhez inclusive em animais que ainda não começaram a ciclar. Como conseqüência da técnica podemos ter benefícios diretos e indiretos:
1) Os benefícios diretos:
- Aumento do número de vacas prenhes de inseminação artificial.
- Aumento da taxa de prenhez no início da estação de monta.
- Possibilidade de inseminar vacas em anestro com boas taxas de prenhez.
- Boa parte das vacas que não emprenham na IATF passam a ciclar, aumentando a chance de emprenharem dentro da estação de monta.
- Otimização da mão de obra na estação de monta.
2-) Os benefícios indiretos:
- Aumento da produção de bezerros.
- Bezerros mais pesados por nascerem antecipadamente e por serem melhores geneticamente.
- Diminuição do Intervalo entre partos na fazenda.
- Concentração das parições.
- Diminuição do descarte de vacas vazias ao final da estação.
- Diminuição de gastos com compra de touros para repasse.
- Diminuição do pisoteamento dos piquetes ao redor do curral e da necessidade de reforma dessas pastagens.
Sim, e já é utilizada por muitos criadores regularmente. A melhora da eficiência reprodutiva do rebanho, produzida pela aplicação estratégica da IATF, resulta em aumento da produção de leite e bezerros e diminuição do período ocioso das fêmeas leiteiras, tornando essa tecnologia extremamente compensadora também nesses rebanhos.
Sim, devemos lembrar que a técnica trás vários benefícios, como:
- Aumento da produção de bezerros de IA.
- Aumento da taxa de prenhez.
- Antecipação do nascimento dos bezerros.
- Melhoramento genético do reganho.
- Aumento da taxa de prenhez ao final da estação de monta.
- Redução do Intervalo entre Partos.
- Aumento da produção leiteira na fazenda.
- Redução dos gastos com compra e manutenção de touros.
Como o custo dos protocolos caiu muito nos últimos anos, sua relação custo/benefício se tornou altamente positiva. Por este motivo, a IATF apresenta um crescimento muito expressivo no cenário da pecuária brasileira. Estima-se que perto de 30% das vacas inseminadas no Brasil já sejam por IATF.
É um índice zootécnico muito utilizado para se determinar a eficiência de um manejo reprodutivo. Para obter a taxa de serviço, devemos dividir o número de fêmeas inseminadas ou cobertas dentro de um período de tempo determinado, pelo número total de fêmeas aptas. Por exemplo: Se dentro de um mês um inseminador conseguiu inseminar 25 vacas das 100 vacas que havia no lote, significa que a taxa de serviço dele foi de 25%.
É o período após o parto em que as fêmeas não apresentam atividade reprodutiva, ou seja, não manifestam cios, nem ovulam. Essa fase se caracteriza por ausência de atividade ovariana. Logo após o parto, período que denominamos de puerpério é normal que o animal esteja em anestro, pois é uma fase de recuperação do aparelho reprodutor do animal e de restabelecimento da atividade hormonal e das funções ovarianas. O anestro pós parto torna-se um problema quando se prolonga por muito tempo, o que compromete os índices reprodutivos do rebanho. Os principais fatores que prolongam o anestro pós parto são:
- Alimentação insuficiente ou de má qualidade (perda de peso).
- Doenças reprodutivas.
- Presença do bezerro sendo amamentado.
É importante diferenciar o anestro verdadeiro (situação em que as vacas não ciclam) das falhas de observação de cios, que são bastante freqüentes, em especial no gado de leite.
É o índice zootécnico mais importante para avaliar a eficiência reprodutiva de um rebanho. Ele é calculado através da média de tempo que as fêmeas do rebanho demoram entre um parto e o outro.
Por exemplo: Num rebanho de 3 vacas temos a seguinte situação:
Identificação da vaca
Data do 1º parto
Data do 2º parto
IEP
Mimosa
01/10/07
01/11/08
13 meses
Mococa
05/11/07
05/02/09
15 meses
Pipoca
03/10/07
03/03/09
17 meses
Logo, a média de Intervalo entre partos desse rebanho, no período analisado, foi de: (13 + 15 + 17) ÷ 3 = 15 meses.
O objetivo de todo pecuarista é chegar o mais próximo possível do IEP = 12 meses, ou seja, em média, um bezerro por vaca por ano. Nessa situação, a produção de bezerros e de leite é próxima do ideal.
Normalmente as vacas que não emprenharam no ano anterior são os mesmos animais que pariram no final da estação de monta e não tiveram tempo de se recuperar e voltar a ciclar até o final da estação. Entretanto existem animais que falharam por baixa fertilidade. Esses dois tipos de animais devem ser diferenciados e, se possível, os últimos eliminados do programa. Retirando-se os animais com problemas reprodutivos do lote de vacas “falhadas” normalmente se obtém resultados de prenhez à IATF tão bons quanto aos das vacas paridas.
Sim, desde que elas atinjam os pré-requisitos necessários para realizar a IATF, principalmente em relação ao escore de condição corporal igual ou acima de 2,5 (escala de 1 a 5) e estejam em boas condições de alimentação. Recomendamos sempre trabalhar com protocolos IATF com indutores de crescimento folicular (Folltropin ou eCG) e, se possível, realizar um incremento da alimentação iniciando 10 dias antes e permanecendo por 30 dias após a IATF.
Não, protocolo reprodutivo é apenas uma seqüência de tratamentos ou aplicações de medicamentos que visa atingir algum objetivo (no caso da IATF induzir a ovulação sincronizada e inseminar os animais). O termo programa reprodutivo é mais abrangente e envolve a associação de várias técnicas e manejos com o objetivo de maximizar a eficiência reprodutiva de um rebanho.
São as vacas que pariram pela primeira vez. Após a parição as novilhas passam a ser denominadas de primíparas. Após a 2ª parição essas fêmeas passam a ser multíparas.
Existem muitos fatores que podem interferir no resultado, por isso é importante ter um profissional com experiência em reprodução animal e no uso dessas técnicas para auxiliar o proprietário. A Tecnopec possui um departamento técnico para auxiliar os veterinários, técnicos e fazendeiros. Lembrar que o melhor protocolo nem sempre é o que lhe custe mais barato, mas sim aquele que irá lhe proporcionar o melhor resultado de prenhez.
Taxa de Concepção é um índice obtido através da divisão das fêmeas que ficaram prenhes pelo número total de fêmeas cobertas ou inseminadas. Por exemplo: Se num programa de IA 50 vacas ficaram prenhes em 100 vacas inseminadas, logo a taxa de concepção é 50%.
Taxa de prenhez é um índice calculado diferentemente, obtemos a taxa de prenhez quando dividimos o número de vacas que ficaram prenhes pelo número total de fêmeas do rebanho (as inseminadas e cobertas e as não), dessa forma, considerando-se o exemplo acima, onde 50 vacas ficaram prenhes de 100 inseminadas, mas supondo-se que o rebanho tenha 200 vacas (ou seja, 100 não conseguiram ser inseminadas) tem-se que a taxa de prenhez foi de 25%.
Quando aplicamos esses conceitos à programas de IA convencional e de IATF vemos que, na IA convencional, podemos ter maior taxa de concepção, mas menor taxa de prenhez. Ou seja, na IA convencional das vacas inseminadas observamos comumente taxas de concepção de 60-70%, porém, devido ao anestro e às falhas de detecção de cios inseminamos poucas vacas do rebanho, assim a taxa de prenhez é muito baixa.
Nos programas IATF, a taxa de concepção é ligeiramente menor (50% em média), mas como conseguimos inseminar todas as vacas do lote, a taxa de prenhez é muito maior nos programas IATF.
Podemos ver isso facilmente nesse experimento realizado em 2001, pelo Prof. Baruselli, na fazenda Brangus Brasil, no interior de SP:
Nesse trabalho, comparou-se o desempenho reprodutivo de 2 lotes de vacas Brangus, paridas e submetidas a dois manejos reprodutivos, dentro da estação de monta de 90 dias.